Curitiba está fervendo. Semana passada teve início o Festival de Curitiba, que traz os teatros mais performáticos, lúdicos em roteiros que fazem nosso cotidiano mais colorido no começo deste outono. Mas, teve um algo mais. No fim de semana passado, como um evento dentro do Festival, aconteceu também a semana de moda de Curitiba, no Memorial de Curitiba, Largo da Ordem. Um evento com a cara da cidade que fez 318 anos fim do mês passado, idealizado pelo fotógrafo Daniel Sorrentino, o estilista Julio Gabardo e a produtora Ana Cris Willerding.

Não fosse por uma safra de novos estilistas que, com o desfile, estão dando cara nova à moda alternativa curitibana, o evento seria só um plus no Festival de Teatro. No entanto, o capricho e as novas propostas destes designers que se formaram há pouco, provam que a moda alternativa de Curitiba está ganhando novos rumos. A qualidade no acabamento das roupas foi evidente. A escolha das propostas para os desfiles e a comunicação com os convidados (nada de burocracia, os convites foram feitos por Facebook e cadastro no blog) resultaram em rostos satisfeitos de quem foi lá para ver moda de Curitiba, para Curitiba.

Tinha roupa para todos os gostos. Marcas de customização e materiais reutilizados, como a Delicious, das irmãs Paula e Dlil Borges, que dão cara nova pintando camisetas de malha e acessórios para meninos e meninas. Detalhe: tudo feito à mão. Natália e Ivone Canalli trouxeram à marca que leva seu sobrenome o mix de estampas que já marcaram presença em vários desfiles no Brasil e nas passarelas mundo afora. A inspiração essencial era a efervescência cultural da cidade alemã Viena e nos ideais opostos de Gustave Klimt e Mozart, nas saias abaixo do joelho (comprimento que está em alta) tons terrosos, bolsas com patchworks de flores, trazendo uma nova cara ao começo dos anos 70. O Novo Louvre, loja que une uma livraria, café e estúdio de moda no centro histórico de Curitiba, trouxe um desfile muito despojado e sofisticado, para mulheres de 20 a 30 anos que não abrem mão da elegância, sem deixar de lado o conforto. O tema era o “Eterno Efêmero”, unindo moda e arquitetura num único desfile. Com as modelagens e padronagens clássicas contrastando com as tendências que já estão nas ruas, como clogs (de plástico!) jersey em vestidos soltos no corpo, trench coats e tons camelos, Mariah Salomão conseguiu traduzir o que quer a menina que trabalha de dia, vai à faculdade à noite e depois a um happy hour com os amigos. A Hype, conhecida por suas camisetas divertidas com estampas pop, trouxe bastante sobriedade em tons e caimentos austeros, vez ou outra quebrados por algumas estampas gráficas nas jaquetas, e nas calças hiper justas de moletom cinza dos meninos. Moletom, aliás, foi um tecido muito casual. Se depender da Hype,  hoje ele vai muito bem até com blazer mais formal e all-star. A Club Z fez uma coleção usável e determinada, apesar de não ter mostrado uma mulher tão nova iorquina, como haviam idealizado.

Todas estas marcas curitibanas acabaram revelando não só um, mas os vários estilos que predominam na cidade. E o que é melhor, é que tudo o que estava nos desfiles no 2º andar do Memorial, estava sendo vendido nas araras do térreo. Curitiba tem desde nomes exemplares que saem pela cidade reaproveitando guarda chuvas para desenvolver uma coleção inteira, até vestidos de festa impecáveis. Se os moradores da cidade modelo são conhecidos pela cara fechada, mau humor e tantos outros, a moda compensa todos estes rótulos generalistas.

Rodrigo dos Santos é estudante de Jornalismo na Facinter. Apaixonado por moda, está sempre por dentro do que está acontecendo sobre o assunto no Brasil e no mundo. rdossantoscustodio@yahoo.com.br